CEGRAF

GRAFOLOGIA

Até conseguir o reconhecimento dos meios científicos, a grafologia, popularizada em muitos países graças à divulgação pela imprensa e à existência de consultórios especializados, precisou superar grandes desconfianças.


Grafologia é a ciência da análise da personalidade pelo estudo de sua escrita. O termo foi criado no século XIX pelo padre francês Jean-Hippolyte Michon, mas a idéia de que a letra revela o caráter - uma vez que o gesto exprime o temperamento e a escrita é gesto fixado - já ocorrera aos antigos e esteve muito em voga nos séculos XVIII e XIX. Foram grafólogos intuitivos personalidades como Goethe e seu amigo Kaspar Lavater, Mme. de Staël, Gainsborough e Edgar Allan Poe. Antes deles, contudo, já no século XVI Camillo Baldi, professor em Bolonha, fizera a primeira exposição do assunto, com rigor científico: propôs a análise da escrita mediante a explicação de constantes isoladas ou signos fixos. Estes viriam a formar a base do método atomista da escola francesa, fundada pelo abbé Jean Baptiste Flandrin, e desenvolvida por seu discípulo, Michon, e o discípulo deste, Jules Crépieux-Jamin, popularizador da grafologia no século XX. Crépieux-Jamin reconhecia 175 signos fixos e sete gêneros ou elementos determinantes da escrita: ordenamento ou harmonia, dimensão, direção, continuidade, velocidade, forma e pressão. Também introduziu a noção de resultantes para as combinações de traço, afirmando que a cada traço ou resultante correspondem características específicas do autor.


George Meyer e Thierry Wilhelm Preyer foram os precursores da escola alemã, a partir de pesquisas sobre a influência dos modelos escolares de caligrafia, das oscilações da atenção etc. O trabalho de Preyer - que demonstrou, escrevendo com o pé e com a boca, que é o cérebro, e não a mão, que comanda a escrita - e de seu colaborador Karl Ludwig Klages, filósofo e psicólogo, apresentou nova abordagem do assunto. A letra passou a ser vista em conjunto, como unidade expressiva, tanto nos aspectos racionais, aferíveis, como nos irracionais e dinâmicos: o ritmo, o ímpeto. O que conta é o nível vital do conjunto. O suíço Max Pulver, médico legista e psicanalista, fundamentou o estudo da letra na consciência ou inconsciência do gesto gráfico. Propôs o conceito de wesensgehalt, qualidade existencial. Para ele, o que importa é a organização da letra no espaço que ocupa. À tipologia de Freud e Jung, cujo estudo Pulver recomendava, René Le Senne acrescentou a caracterologia. A utilização do espaço também interessa à escola inglesa, filiada ao tcheco Robert Saudek, que destaca a supremacia da naturalidade e originalidade das formas. Modernamente, a grafologia aprofundou e complementou as conquistas iniciais.